Por que não falar de flores?


Jane Engel Correa

Por que não falar de flores?

Mesmo que estejamos vivendo por momentos indesejáveis e angustiantes, observar as flores e o renascer delas pode nos poupar algumas sequelas causadas por estes tempos ruins. Talvez pelo acúmulo de atividades antes da pandemia nos privamos de observar e vislumbrar pequenos detalhes que agora tornaram-se significativos. De repente me vejo a contemplar uma roseira repleta de rosas vermelhas que estão bem ao meu alcance. Elas sempre estiveram ali, mas eu não as via. Via, mas não admirava, não conseguia observar. E não são minhas, elas ultrapassam o muro e pertencem a minha vizinha. Ela que as cultiva. Eu sempre gostei delas ali, porém como a minha vida antes era praticamente fora do espaço da minha casa, meus olhos conseguiam apenas assistir ao mundo externo.

E antes de chegar ao quintal me deparo com um vistoso vaso onde duas flores impactam minha visão. Também conhecida como lírio da paz ou bandeira branca, ela está aposta para me brindar com sua venustidade todas as vezes eu queira olhá-la. E bem próximo ao esplendor branco surge a planta que talvez mais represente o momento em que estamos vivendo. As suculentas esbanjam resistência, mas ao mesmo tempo possuem muita sensibilidade e oferecem cuidados peculiares. . Nós estamos sobrevivendo ao caos, mesmo que muitas vezes `nossa capacidade de ultrapassar tantas intempéries impossibilitem uma alegria constante. E é nestas horas de sensibilidade extrema que precisamos nos abastecer de forças para temperar os dias maus que possam surgir. E nesta luta diária buscando esperança no amanhã que a suculenta kalonchoê com seu colorido e delicadeza retém minha preferência e ajudam a compor minha busca por novos sabores da alegria. Elejo as amarelas como as mais belas, no entanto quando me deparo com as brancas e laranjas logo vem a dúvida. Então decido por todas e tinjo minha casa de cores vivas.

Descubro que em meu quintal, vários meses do ano é Natal. Sim uma frondosa poinsettia ou flor de natal toma conta do pequeno espaço de terra que ainda existe por ali. Ao olhar para a imensa árvore lembro quando a pequena flor chegou em um vasinho às mãos de quem a cultivou e cuidou com tanto zelo. Minha curiosidade também aflorou sobre esta planta e descubro que ela tem origem mexicana e tem outros nomes. Em Portugal é conhecida como “manhã de páscoa”, no Brasil pode ser chamada de bico de papagaio, rabo-.de-arara e papagaio Antes da flor ser conhecida no mundo, era cultivada pelos indígenas mexicanos e vista como símbolo da pureza e de vida nova para os guerreiros. que morriam. e podemos encontrar muito mais curiosidades desta maravilha vermelha e verde que despeja seu glamour em minha casa.

E é por contemplar as flores que permito- vislumbrar dentro de mim, mesmo que isolada, a grandeza e onipresença de Deus Sim, não estamos sós e nem tampouco desprovidos de cuidados e por isso não deixarei de exprimir meu encanto por elas , e nem tampouco deixar que elas morram e se alguma não resistir ao mau tempo, não será por eu não ter regado, apreciado, cultivado, mas será porque chegou o tempo de renovar , meu quintal e .meu jardim E sempre será tempo de falar de flores, de vida, de existência plena que só existe em um Deus que não dorme e que cuida de nós muito melhor do que eu tenho cuidado das flores da minha casa.

voltar

Jane Engel Correa

E-mail: janeengelc@yahoo.com

Clique aqui para seguir esta escritora


Pageviews desde agosto de 2020: 4583

Site desenvolvido pela Editora Metamorfose